quarta-feira, 15 de junho de 2011

S.O.S Psi (devaneios em meio a um cavaquear)



Esta é a primeira de muitas e diversas palavras - ora desfragmentadas de um contexto vivido em rodas de conversa boêmias ora imersas em delirosas reflexões conjuntas, ou solitárias, sobre um dado retrato de um dos fluxos de nossos movimentos- que não tem uma finalidade primeira ou última que perpasse para além de um prazer íntimo de estar e ser no mundo, de gerar pontos limites e instantes de crise numa lógica endurecida por normas e convenção contraditórias ou avessas a uma livre produção, um potencial gerador de afecções.

S.O.S. Psi (devaneios em meio a um cavaquear) é um conjunto de vários palavras, múltiplos sentidos e diversas ramificações, num segundo momento em que li o título tive a idéia de significar a sigla como sendo Ser Ou não Ser Psi, indo em direção a uma concepção a cerca das diversas formas de pré conceito que afasta as numerosas linhas teóricas utilizadas na Psicologia, seus ramos, raízes e fontes nutricionais. Acredito que tal rumo ainda será encontrado ao longo do dialogo (de minhas idéias e suas percepções destas), mas não como uma trilha e sim como pista entregues a curiosas mentes que gostam de um divertido jogo de quebra cabeça, pistas que podem ser tomadas tal qual tomamos partes de um cenário ao longo de uma caminhada.

Este conversar singelamente a respeito de delírios provenientes de um inquietamento acadêmico, bons amigos e um desejo criativo, colocará em voga um questionamento, haverá em nosso campo um processo de Segmentação Ou Sedimentação Psi?

Comecemos então pelo início, e utilizemos a figura neste texto como uma imagem que instigará algo de minhas palavras para vocês, quando falo de uma Segmentação Psi estou tentando dar conta de um movimento vívido que todos que estão imersos num campo de atuação psicológico já devem ter percebidos, falo eu de um processo de cortes, recortes, divisões e secções do grande campo da ciências dos limites chamada Psicologia (digo dos limites pois ela é perpassada pelos mais diversos limites das áreas mais variadas das produções humanas, antropologia, sociologia, biologia, filosofia, história, matemática, administração, comunicação, entre outros).

Tal processo não é para mim algo estranho quando percebido por uma lógica do campo de nossas atuações práticas e teóricas, campo este limitado pelos nossos desejos, afetos e raciocínios lógicos, econômicos e reais que nos alertam de que dar conta de tudo é um pouco demais, para um cérebro de 80 e poucos milhões de neurônios que mal são usados em um potencial superior de 15% de sua capacidade, né Suzana "mi querida" Suzana. Traduzindo em miúdos, é extremamente difícil dar conta de estudar múltiplas facetas de um mesmo objeto e ser capaz da humildade de trabalhar cada faceta a seu momento e com a melhor ferramenta conquista e montada a base de milhares de páginas lidas e inúmeras vidas passadas e declinadas em uma mesa dando-nos escritas de valor e conhecimentos imensuráveis.

Como poderíamos interpretar, perceber e elaborar Escher em sua totalidade, quando sua própria totalidade é constituídas das mais diversas perspectivas de um mesmo objeto? Não seria o mesmo na psicologia? Como poderíamos não segmenta-la para podermos de melhor forma atuar em cada face com o melhor dispositivo por nós conquistado?

O que contesto aqui é a dolorosa realidade que cerca os processos de segmentação, a realidade dos engessamentos e do triste distanciamento/ ilhamento que cerca cada parte segmentada. O que faz o segmento da TCC ser caracterizada de uma forma B em relação a Psicanálise como A e a Gestalt-terapia como C, onde cada letra carrega um conjunto de valores e preceitos que as colocam numa relação de mais ou menos valia em relação a próxima. Quero lembrar que tal fato não é algo que ocorrer devido a uma natureza íntima de cada linha teórica mas que ela esta ligada às pessoas que dela se servem e que nelas incutem valores. Ora já que este ato é feito por certas pessoas então outras pessoas determinadas não acompanhamento tal proceder e para esta não me importa incomodar tanto quanto as outras.

E a Sedimentação por onde anda? Ela caminha lenta e vagarosa em cada produzir de falsos abraços e críticas velas ao próximo, o próximo lacanianos quando o eu é um freudiano, a um mulleriano quando sou lacaniano, a um gestaltista quando sou tccsista, ao RH se sou quando outra coisa da ordem terapêutica. Digo aqui a sedimentação como um acúmulo de vários pequenos pedaços do Psi em uma instituição que diz abraçar a todas como iguais, mas que numa prática experiênciass de vida nada mais faz do que sobre polas, e as comprimi-las a ponto de forma um terreno chamado psicologia.

A sedimentação qual tal a segmentação não é ruim por si só, mas danosa quando feita de uma forma qualquer, uma forma qualquer que atende somente a uma determinada lógica de uma sociedade do espetáculo e da fluidez.

O terreno sedimentoso é rico e nutritivo, é algo que carrega grande potência de vida e de prosperidade, quando utilizado de maneira correta, não comprimido por toneladas de preconceitos e valorações débeis. É neste terreno segmentado e sedimentoso que podemos plantar e colher uma florescente Psicologia, com raízes e ramos fortes, pois estes se nutrem das mais diversas esferas vivas. Psicologia esta que pode se apropriar de um ou outro tipo de solo, de um outro segmento natural ao homem, mas que nunca negligencia um segmento diverso a sedimento de seu interesse.

Voltando a figura acima, lá em cima, como alguns já perceberam tal imagem é relacionada a Alegoria da Caverna (o texto). Uso esta imagens para falar sobre os segmentos, e nela podemos perceber como: a caverna em si (o momento de um obscuro vislumbre de movimentos e formas num ambiente pouco nítido, mas que para aquelas pessoas é um local de vida produtiva), os homens com as produções de sombras e a fogueira (local de atos em prol de uma confecção de uma realidade diferente da realidade da externa ou mais interna, mas ainda sim um local onde algo é criado), o ascender ao exterior (instante transitório e ativo, de limites e de crise), o exterior (ponto novo, imprevisto e surpreendente, que nos tira da comodidade a qual estamos acostumados e por vezes nos causa certo sofrimento). Cada segmento possui sua força, sua intensidade e sua dimensão, valoriza-las em detrimento de outras e algo que me passa com determinado estranhamento, não seria mais interessantes fazer uma simples diferenciação.

Já a sedimentação pode ser compreendida no próprio vislumbre da terra nesta imagem: a terra mais interna é aquela mais compreendida, uma terra onde as produções podem ocorrer, só que com sua potencialidade reduzida; temos o terreno externo que é mais rico e próspero, contudo com mais riscos e que recebe mais diretamente as intervenções da natureza e do ambiente ao qual está exposto.

Não seriam os homens das sombras os mesmo homens fomentadores das cristalizações e endurecimentos teóricos, os que não mostram fogueira ao invés de Sol, sombra antes das próprias formas, não seriam estes os fornecedores de preconceitos e de distanciamentos a uma busca por algo que pode nos dar um nutrição intelectual completar, uma nova perspectiva onde pudéssemos beber?

Deixo por agora somente um hiato até o próximo texto e um longo descanso para os olhos alheios e meus.

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